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Mudando-se em 1778 para Paris, onde as pessoas lhe pareciam "mais esclarecidas e menos indi ferentes às novas descobertas", conseguiu converter a seus métodos o poderoso Charles d'Eslon, principal médico da corte do irmão de Luís XVI, que o introduziu em círculos influentes. Mas em breve os médicos franceses se mostraram tão enfurecidos e invejosos quanto seus confrades austríacos.

A grita forçou o rei a designar uma comissão para investigar o assunto, embora D'Eslon, numa reunião da classe médica na Universidade de Paris, tivesse saudado a contribuição cientí f ica de Mesmer como "uma das mais importantes da época". Quando a comissão, que incluía o diretor da Academi a Francesa de Ciências - que em 1772 decretara solenemente que os meteoritos não existiam - e cujo presidente era o embaixador norteamericano Benjamin Franklin, deu o veredicto de que "nem existe nem pode ter efeito salubre o magnetismo animal", a grande popularidade de Mesmer, assim exposto ao ridículo, começou a declinar.

Retirando-se para a Suíça, ele a í completou, um ano antes de morrer , em 1815, sua obra mais importante: O mesmerismo ou O sistema das influências recíprocas - teoria e prática do magnetismo animal. Em 1820, Hans Christian Oersted, um cientista dinamarquês , descobriu que, colocada perto de um fio eletri f icado, uma agulha de bússola sempre se movia de modo a ficar perpendicular ao fio.

Quando a corrente era invertida, a agulha apontava na direção oposta. O fato de uma força agir sobre ela indicava que no espaço ao redor do fio deveria existir um campo magnético. A hipótese levou a uma das mais proveitosas descobertas na história da ciência , quando Michael Faraday, na Inglaterra, e Joseph Henry, nos Estados Unidos, compreenderam independentemente que o fenômeno oposto era igualmente válido, ou seja, que um campo magnét ico poderia induzir uma corrente elétrica se o fio fosse movido através dele.

 
 

Assim f o i inventado o "gerador" e, com ele, um mundo totalmente novo de engenhos elétricos . Hoje, os livros sobre o que o homem pode fazer com a eletricidade enchem dezessete prateleiras de 30 metros nas estantes da Biblioteca do Congresso em Washington, mas o que é e por que funciona a eletricidade continuam a ser mistérios tão grandes quanto na época de Priestley.

Os cientistas modernos, não fazendo ainda idéia da composição das ondas eletromagnéticas, limitam-se simplesmente a empregá-las em rádio, radar, televisão e torradeiras . Em virtude de uma concentração tão mal equilibrada sobre as propriedades mecânicas do eletromagnetismo, só um reduzido grupo de indivíduos, no transcurso dos anos, deu atenção a saber como e por que o eletromagnetismo pode afetar os seres vivos.

Entre eles figura com destaque o Barão Karl von Reichenbach, um cientista alemão de Tubingen que em 1845 descobriu produtos extraídos
do alcatrão vegetal, entre os quais o creosoto, usados para a preservação de mourões de cercas e estacas imersas. Certo de que pessoas especialmente dotadas - ou, no seu próprio fizer, "sensitivas" - podiam ver uma energia estranha emanando de todas as coisas vivas, e mesmo das extremidades de um ímã, cunhou para t a l energia o tempo de odyle ou od.

Embora suas obras fosse traduzidas em inglês por um eminente médico, Willian Gregory, designado professor de química na Universidade de Edimburgo em 1844, como Pesquisas sobre as forças do magnetismo, elet ricidade, calor e luz em relação à força da vida, suas tentativas para provar a existência delas aos físicos contemporâneos da Inglaterra e do continente foram sumariamente rejeitadas. Reichenbach indicou o motivo da repulsa à sua "força ódica" ao escrever: "Sempre que eu tocava no assunto, sentia-me como se dedilhasse numa corda uma nota desagradável.

Em seus espíritos, as pessoas associavam od e sensitividade ao chamado magnetismo animal e ao mesmerismo, e com isso toda a simpatia acabava". A associação, com efeito, não se justi f icava, pois Reichenbach fora bastante claro ao declarar que, embora a misteriosa força ódica pudesse parecer com o magnetismo animal e a ele fosse conjugada, também podia existir separadamente.

 
 

Anos depois, Wilhelm Reich afirmaria que "a energia da qual tratavam os ant igos gregos e os modernos desde Gilbert era basicamente diferente da energia de que tratam os físicos desde Volta e Faraday, obtida pela movimentação de fios em campos magnéticos; diferente não apenas quanto ao princípio de sua produção, mas diferente em fundamento".

Reich acreditava que os antigos gregos, com o princípio de fricção, tinham descoberto a misteriosa energia à qual deu o nome de "orgônio", tão semelhante ao od de Reichenbach e ao éter dos antigos. Reich garantia que o orgônio é o meio no qual a luz se move, bem como o meio da
atividade gravitacional e eletromagnética, e que ele preenche todo o espaço, em diferentes graus e concentração, e está presente até mesmo no vácuo.

Considerava-o o vínculo básico entre a matéria orgânica e a inorgânica. Na década de 60, pouco após a morte de Reich, tornavam-se esmagadoras as evidências de uma base elétrica nos organismos. Um autor que escreve sobre a ciência ortodoxa, D. S. Halacy, reconheceu isso em termos simples: "O fluxo dos elétrons é básico para praticamente todos os processos vitais". As dificuldades surgidas no período entre Reichenbach e Reich derivaram parcialmente da voga científica de considerar as coisas à parte , em detrimento de seu estudo como todos funcionais.

Ao mesmo tempo, um abismo cada vez maior separou os
pesquisadores envolvidos com as chamadas "ciências naturais" dos físicos inclinados, numa progressão constante, a só dar crédito ao que podiam ver ou medir instrumentalmente. Nesse meio tempo, a química se concentrou em ent idades separadas cada vez menores e mais variadas que em sua recombinação artif icia l propunham uma fascinante
cornucópia de novos produtos.

A primeira síntese artificial de uma substância orgânica, a uréia, fei ta em laboratório em 1828, pareceu destruir a idéia de que havia um aspecto"vital" especial nos seres vivos. A descoberta das células, as significativas contrapartes biológicas dos átomos da filosofia grega clássica, sugeriu que as plantas, os bichos e o próprio homem eram apenas diferentes combinações desses blocos de construção ou agregados químicos.

Nesse clima novo, poucos tomaram a iniciativa de estudar a fundo os efeitos do eletromagnetismo sobre a vida. Não obstante, alguns individualistas excêntricos formulavam volta e meia uma idéia de que as plantas poderiam responder a forças cósmicas, livrando assim do esquecimento as descobertas de Nollet e Bertholon. Na América do Norte, William Ross, ponto à prova afirmações feitas pelo Marquês de Anglesey de que as sementes germinavam mais rápido quando eletrificadas, plantou pepinos, numa mistura de óxido preto de manganês, sal de cozinha e areia lavada, regando-os com ácido sulfúrico diluído.

Ligou então uma corrente elétrica à mistura, levando as sementes a germinarem muito mais depressa que outras postas numa mistura idêntica, mas não eletri ficadas. Um ano mais tarde, em 1845, o primeiro número do Journal Of the Horticultural Society, de Londres, publicava um longo relato sobre a "Influência da eletricidade na vegetação", escrito
por um agrônomo, Edward Sol ly, o qual, como Gardini , tinha estendido fios sobre canteiros e, como Ross, experimentado enterrá-los. Mas, das setenta experiências de Solly com vários cereais, legumes e flores, sódezenove tiveram resultados benéficos, enquanto outras tantas foram prejudiciais.

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